Ética - Origens
Nos vários lugares por onde circulamos, na família, na escola, no bairro, num grupo de amigos ou nos meios de comunicação como a televisão, o rádio, jornais e revistas, é muito comum ouvirmos frases como estas: “Hoje em dia não se tem mais ética”, “O problema do Brasil é a falta de ética”, “É necessária uma postura ética”. Sabemos que a ética garante princípios com que, de alguma forma, todos nós concordamos e que foram aceitos por aqueles que fazem parte da nossa sociedade. Portanto, a ética é fundamental para regulamentar as relações
entre todos nós. Se ela é tão importante, cabe nos uma pergunta: afinal, o que é ética?
Se buscarmos a origem da palavra, sua etimologia, temos que nos aproximar dos gregos: ética vem de ethos = costumes, mores = moral. Isto significa que a “ética” já era estudada pelos gregos na antiguidade e era considerada uma ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Portanto, ética é uma ciência do comportamento moral dos homens a ser estudada no campo da filosofia. Podemos, também, chegar a outra definição que complementa a primeira:
“Ética é um conjunto de regras morais que regulam a conduta e as relações humanas”.
Se a ética é um conjunto de regras morais, vamos entender o que é a moral, já que é comum fazermos confusão entre o uso de ética e moral.
Ética e moral :
Usando uma situação do dia-a-dia como exemplo, vamos imaginar uma moça que usa uma saia curta, e uma outra pessoa que diz: “Que imoralidade, o tamanho da saia desta moça!”. Nesse caso, um indivíduo julgou o comportamento do outro e, para os seus costumes, aquele modo de vestir é descabido. É bem possível que, para outra pessoa, essa situação nem chame a atenção. Da mesma forma ocorreram os primeiros contatos entre os grupos indígenas que viviam no Brasil e os europeus colonizadores, que consideravam uma imoralidade as vestimentas dos indígenas, o uso de grafismos, pinturas e adornos. Achavam que estes estavam “nus” pelo fato de não usarem as mesmas roupas e adornos a que eles estavam acostumados e isso, portanto, causava grande espanto. Agora, se virmos do ponto de vista dos grupos indígenas, a forma de vestir é outra, diferente da do europeu e, de forma alguma, o corpo não precisava de toda aquela roupa com o calor tropical do Brasil. Os
indígenas também deveriam achar esquisito (não necessariamente imoral) o jeito como os “brancos” estavam vestidos, cobertos de roupa até o pescoço.
Portanto, a moral dependerá muito de alguns referenciais como: quem somos, onde moramos, a qual cultura pertencemos e em que época histórica vivemos. Imaginem se esses mesmos europeus colonizadores nos vissem caminhando pelas ruas com as vestimentas que usamos hoje, ou se as pessoas que viveram no final do século XIX vissem as mulheres usando calças, trabalhando e tendo os mesmos direitos que os homens. Isto, certamente, seria considerado uma imoralidade. No entanto, devido a muitas mudanças na História, a sociedade é outra e a
nossa moral também mudou. O que antigamente era considerado imoral, hoje pode não ser mais. Sabemos que essas designações quase sempre espelham valores pessoais, razão pela qual nem sempre há um perfeito acordo no julgamento de atitudes entre as pessoas.
Já com a ética é diferente. A ética seria um conjunto de padrões de condutas compartilhadas por todas as pessoas, e que, desde a filosofia do grego Aristóteles, está relacionada a uma noção de justiça. É lógico que o que é justo ou não muda ao longo da História e depende do ponto de vista de cada cultura. Porém, na ética, buscam-se valores que são universais, baseados na noção de justiça, como, por exemplo, o direito à vida. Um pensador atual, chamado Oscar Vilhena, nos ajuda a diferenciar a moral da ética: Assim, a moralidade está relacionada principalmente aos costumes privados, enquanto a eticidade – isto é, a qualidade da conduta ética – designa valores de ordem pública que permitem o convívio.
Fonte: Cadernos de Caminhos do Futuro - Ministério do Turismo.
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